Início > news > Lula defende cooperação sul-americana contra o crime organizado
Lula defende cooperação sul-americana contra o crime organizado

Lula defende cooperação sul-americana contra o crime organizado

20/12/2025 12:53
Leia a notícia completa aqui.
**Título: Lula propõe colaboração sul-americana no combate ao crime organizado** O presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou, neste sábado (20), durante a Cúpula do Mercosul em Foz do Iguaçu, a necessidade de priorizar o enfrentamento ao crime organizado entre os países do bloco, que inclui Argentina, Bolívia, Brasil, Paraguai e Uruguai, independentemente das orientações políticas de seus governos. Ele mencionou que a deterioração das instituições democráticas é um fator que facilita a proliferação de atividades ilícitas. Lula também mencionou diversas iniciativas em andamento entre as nações sul-americanas. "A segurança pública é um direito do cidadão e uma obrigação do Estado, independentemente da ideologia política. O Mercosul já demonstrou seu comprometimento em lidar com as redes criminosas de maneira colaborativa. Há mais de dez anos, estabelecemos um grupo de autoridades especializadas em políticas de combate às drogas. Neste semestre, firmamos um acordo para a luta contra o tráfico de pessoas e criamos uma comissão para desenvolver uma estratégia integrada contra o crime organizado transnacional. Além disso, formamos um grupo de trabalho focado na recuperação de ativos para sufocar as fontes de financiamento de atividades ilegais", afirmou. Lula também defendeu a regulamentação de ambientes digitais como parte da luta contra o crime e anunciou a realização de uma reunião internacional com ministros da segurança para discutir a questão. "Concordamos que a internet não é um espaço sem regras e tomamos medidas para proteger crianças, adolescentes e dados pessoais em plataformas digitais. A liberdade é a primeira vítima em um mundo sem normas. Contudo, essa é uma batalha que transcende o Mercosul. Atualmente, não existe uma entidade sul-americana destinada a esse desafio. Por isso, em colaboração com o Uruguai, o Brasil pretende propor uma reunião dos ministros da Justiça e da Segurança Pública do Consenso de Brasília para fortalecer a cooperação regional no combate ao crime organizado", declarou. **Violência de gênero** Durante a Cúpula do Mercosul, Lula também abordou a questão da violência contra as mulheres, um dos principais desafios de segurança pública no Brasil e em países vizinhos. "A América Latina detém o triste título de ser a região mais perigosa do mundo para as mulheres. Conforme dados da Cepal [Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe], 11 mulheres são assassinadas diariamente na região. Ontem, enviei ao Congresso Nacional um acordo para ratificação, que garantirá que mulheres sob medidas protetivas em um país do bloco tenham a mesma proteção em outras nações. Proponho ao Paraguai, que assume a presidência do bloco, que trabalhemos juntos em um grande pacto do Mercosul para erradicar o feminicídio e a violência contra as mulheres", destacou o presidente, que tem feito repetidos apelos por um mutirão nacional de combate à violência de gênero. **Risco de conflito militar** Outro ponto importante da fala de Lula na Cúpula do Mercosul foi a preocupação com a possibilidade de um conflito armado na América do Sul, em razão da ameaça de intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, que visa a derrubada do governo de Nicolás Maduro e poderia desencadear um novo conflito. Atualmente, tropas americanas estão posicionadas no Mar do Caribe, alegando combater o narcotráfico na fronteira venezuelana. "Quarenta anos após a Guerra das Malvinas, a América do Sul novamente enfrenta a presença militar de uma potência externa. Os limites do direito internacional estão sendo desafiados. Uma intervenção armada na Venezuela resultaria em uma catástrofe humanitária para a região e estabeleceria um precedente alarmante mundialmente", alertou Lula. Além de promover uma doutrina pacífica para a América do Sul, Lula reafirmou seu compromisso com a democracia e destacou a capacidade das instituições brasileiras em conter a tentativa de golpe de Estado ocorrida há quase três anos. "A democracia brasileira sobreviveu ao seu ataque mais severo desde o fim da ditadura. Os responsáveis pela tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023 foram investigados, julgados e condenados de acordo com o devido processo legal. Pela primeira vez na história, o Brasil confrontou seu passado", concluiu.